terça-feira, fevereiro 08, 2011


OS PROFESSORES DE FRANCÊS


 



Hoje, durante o Conselho Pedagógico, uma colega dizia-me ter pena de que a Língua Francesa, nas escolas, fosse preterida a favor do espanhol, ou outros idiomas emergentes. - Quanto aprendíamos e que bem falavamos o francês, no nosso tempo! - lamentava.
Sendo o nosso tempo, outro tempo, em que o aprender se conceptualizava em atender, tomar notas, memorizar, interpretar, compor e falar, já o caminho do saber se estruturava de outra forma. Depois o francês compreendia um currículo obrigatório de 5 anos, com 3 ou 4 horas semanais. Em casa, todos os dias se trabalhavam textos, em que a gramática, o sentido literário e o conhecimento da cultura francesa integravam os inúmeros exercícios académicos.
O ipod da época, a telefonia, emitia os hits do momento, liderados muitas das vezes por cantores franceses.
Os grandes professores de francês, sem desmerecer o subido empenho do decano oficial, foram:  Edith Piaf, Charles Aznavour,  Gilbert Bécaud, Jacques Brel e, mais tarde, Françoise Hardy, Sylvie Vartin, George Moustaki, Serge Gainsbourg e o ultra romântico de voz delicodoce Adamo.




À falta de computadores e internet, a malta, ouvia os 45 rotações de vinil, tantas vezes quantas ditavam o encantamento e a necessidade de tirar a letra. Havia o hábito de criar livros manuscritos das letras para depois cantá-las comme il faut nas tertúlias, pic nics, serenatas e até no chuveiro.

Na nossa casa o Livro de Canções foi sendo elaborado, ao longo dos anos 60 e 70, pela minha irmã Manuela. Não só era exímia na escuta dos trechos mais difíceis, como na correcção da escrita. Acompanhavam cada canção uma pequena biografia do cantor e uma foto, recortada da Plateia ou da Flama. O livro rodou tantas mãos de amigos que um dia não voltou. Dele registamos a falta sempre que, em família, se desdobra o passado.


 
 
























Para além das revistas e jornais portugueses, compravam-se revistas francesas e o Le Monde Diplomatique informava sobre aquilo que a nossa imprensa censurada não relatava. Os quiosques de rua ou de café vendiam, tantas vezes por encomenda, essas preciosidades suculentas.



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