domingo, fevereiro 20, 2011


MUSEO NACIONAL DEL PRADO - 15 FEVEREIRO EM MADRID



Na semana anterior já se haviam preparado as visitas. Revisão das matérias, relembrar de épocas e estilos, estudar concepções artísticas, situar no roteiro essencialista algumas obras e autores que desenharam perspectivas e dinâmicas, esculpiram sentimentos, revelaram segredos, afirmaram crenças, juízos e concepções. Artistas que redefiniram uma estética social, moral e política cujos traços impregnaram a forma como hoje sabemos o mundo. 

Pequeno apontamento transversal. A destacar:

Rogier Van der Weyden (1435-1438)



A Virgem e o Menino (Óleo sobre madeira)
Interpreta uma realidade  que se situa entre a escultura, a arquitectura e a pintura. O nicho tem uma representação gótica e a virgem e o menino aparecem como que esculpidas no seu altar. As referências arquitectónicas são bem visíveis e magnífica a qualidade da cor e o cair desdobrado do tecido.



Correggio (1489-1534)


Noli me Tangere (Óleo sobre madeira transferido para tela)
Primeira aparição de Cristo depois da sua morte. Maria Madalena, ricamente vestida, reconhece-o e ajoelha-se. O quadro atrai a permanência do olhar pela sua intangível dinâmica de bailado, pelo forte entendimento entre os personagens, pelos recursos plásticos  delicados e suaves. 

El Greco (1541-1614)


El Caballero de la mano en el pecho (Óleo sobre tela, 1580)
A partir desta obra El Greco passa a ser alvo de reconhecimento. Seguindo a tradição do retrato espanhol o quadro impõe-se pela sua sobriedade, distanciamento e detalhe.


Diego Velasquez (1599-1660) 


Retrato equestre do Conde Duque de Olivares (Óleo sobre tela, 1634)
A ascendência e importância do Duque de Olivares é revelada pelos pormenores cuidados do seu traje, pela expressão altiva do seu rosto e pela postura erguida do cavalo. O jogo de luz e sombra e a perícia do tratamento cromático, que se insinua até ao detalhe, obrigam à permanência do olhar, materializando um delicado e jubiloso prazer. 




As Meninas ou A Família de Filipe IV (Óleo sobre tela, 1656)
Obra-prima do pintor, a tela, colocada em destaque, atrai o olhar do visitante. O quadro é revelador da nobre posição social desta família. Ilumina, ao centro, a infanta Margarida, rodeada pelas Meninas, suas aias. Na porta do fundo reconhece-se o aposentador real, José Nieto e, no espelho, reflectidos, o Rei e a Rainha. O próprio Velasquez se representa, à esquerda da composição, exibindo no seu traje a cruz de Santiago e reforçando, com a sua presença, a nobreza do  seu papel na corte e a nobreza da sua arte.



José Ribera (1591-1652)


A Madalena Penitente (Óleo sobre tela, 1641)
A representação do artista releva uma Madalena de extraordinária beleza que, depois de uma vida de pecado, se recolhe e penitencia. São símbolos desta dicotomia: O rico manto vermelho sobre a rusticidade negra do  vestido e o rosto delicado, que rezando uma candura inocente, contrasta, sem culpa, com a voluptuosa e redonda nudez dos ombros.



Juan Fernandez, El Labrador (1587-1657)

Cachos de Uvas (Natureza morta - Óleo sobre tela, 1620)
Transparentes, suculentas, saborosamente apetecíveis.


Tomás Hiepes (1610-1674)


Duas Taças de Frutos sobre a Mesa (Natureza morta - Óleo sobre tela, 1642)
Hiepes é o principal representante da pintura barroca sobre naturezas mortas. De salientar a simetria dos elementos representados, o ponto de vista elevado, a proximidade dos objectos, o seu realismo e detalhe.


Albrecht Dürer (1471-1528)





Adão e Eva (Óleo sobre madeira, 1507)
Uma delicada e expressiva representação de Adão e Eva. A obra ultrapassa o carácter religioso. O quadro, em duas tábuas separadas, de tamanho natural, indica a individualidade de cada ser. No Adão só a maçã lhe confere identidade enquanto, na Eva, os símbolos que a definem são a serpente e de novo a maçã. O olhar de Eva dirige-se dissimuladamente a Adão e faz antever a eminente quebra da lei estabelecida.



Ticiano (1489-1576)




Adão e Eva (Óleo sobre tela, 1550)
Baseado no relato do Génesis, inspira-se na antiga estatuária e em obras, contemporâneas, como o fresco de Rafael e as gravuras de Dürer. Apresenta alguma inabilidade na composição mas o soberbo colorido da paisagem de fundo redime-o.


Murillo (1617-1682)

A Imaculada do Escorial (Óleo sobre tela)
Murillo executou cerca de 20 versões da Imaculada. Quatro delas encontram-se no museu do Prado. Esta pintura, em particular, apresenta uma virgem ainda menina.


Peter Paul Rubens (1577-1640)


As Três Graças (Óleo sobre tela, 1635)
As figuras femininas, voluptuosas, representavam três virgens puras, ao serviço de Afrodite, deusa do Amor. Do lado esquerdo o pintor usa como modelo a sua própria mulher. Além da redonda sensualidade, a composição apresenta um grande equílibrio e uma alegria espelhada de luz.


Goya (1746-1828)


 La Maja Desnuda (Óleo sobre tela, 1800)
Figura de mulher nua, em pose, com rosto inexpressivo. A pintura foi proibida por ser considerada licenciosa.



La Maja Vestida (Óleo sobre tela, 1800)
Goya pinta a mesma mulher, agora vestida, em traje branco, insinuando o corpo. A expressão do rosto é irónica e divertida, já que, a voluptuosidade feminina se acentua pelo falso esconder das formas proibidas.


Saturno Devorando o Filho (Pintura mural transferida para tela, 1821)
Em 1819 Goya comprou a Quinta del Sordo uma casa de campo nos arredores de Paris. Aqui o pintor decorou as paredes das duas divisões principais com as  conhecidas  Pinturas Negras que parecem ter como tema a maldade, o terror, a ignorância e a morte. São comuns a todas elas o exagero dos gestos e atitudes, a liberdade da pincelada, a utilização de traços enérgicos e manchas, assim como os contrastes de luz e cor. A sua violenta afirmação provocou um enorme fascínio e aproveitamento por parte das correntes vanguardistas, expressionismo e surrealismo, que as tomam como percursoras da arte moderna.

Thomas Lawrence (1769-1830)



Miss Martha Carry (Óleo sobre tela, 1791)
Prelúdio do Romantismo e auge da pintura inglesa. A delicadeza da composição está presente no cristalino olhar, no arrebatado ondular dos cabelos, na leve e transparente espuma do fluído rebuço. A pureza refinada do rosto e o alvo modelado do vestido afirmam-se sobre os tons quentes do pesado reposteiro de veludo.


Muñoz Degrain (1840-1924)

Antes de la Boda (Óleo sobre tela)
Este quadro integra-se na séria 'Os Amantes de Teruel'. História trágica de dois apaixonados que, separados pelos pais, acabam por morrer de paixão. O desânimo da noiva, obrigada a casar com a escolha paterna, destaca-se, melancolicamente, imerso na beleza e sumptuosidade dos tecidos.


 Os Amantes de Teruel (Óleo sobre tela)
Na sua visita ao túmulo do amante, depois de um beijo de despedida, a bela noiva morre por amor. Um quadro magnífico que recria um romance da mesma época.

Raimundo de Madrazo y Garetta (1841-1920)

Doña Inês (Óleo sobre tela)
A modelo do pintor é a actriz Maria Guerrero que, nessa época, era aplaudida pela sua interpretação teatral de Doña Inês. O retrato é fiel e intimista ao revelar não só a beleza calma do rosto como a interioridade reflectida do personagem.



Aline de Masson, A mulher do Artista (Óleo sobre madeira, 1876)
O olhar entornado de atrevimento e provocação. A postura erguida em segurança e uma boca, entreaberta, feita rubro desejo. Uma luz texturada de primorosa beleza. O enquadramento escuro que sustenta o requinte e incendeia a paixão.
O mais puro realismo burguês em voga nos círculos parisienses.


Joaquin Sorolla (1863-1923)



Meninos na Praia (Óleo sobre tela, 1910)
Uma das mais significativas obras de Sorolla, reveladora de plena maturidade plástica. Os jogos da luz do meio-dia, sobre a água, evoluem em largas pinceladas amarelas, queimadas e malvas, definidoras de imediatismo e de uma forte sensação de vida. O enquadramento é fechado, próximo, numa composição diagonal. A luz abre-se, desde o fundo, eclodindo, clara e absoluta, na nudez bem definida do primeiro menino.

FOTOS - WikiGallery.org; Imagens do Google.
FUNDAMENTAÇÃO LITERÁRIA - http://www.museodelprado.es/

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