terça-feira, fevereiro 22, 2011



AS CRIANÇAS E A CULTURA MUSEOLÓGICA

MUSEO E CENTRO DE ARTES  REINA SOFIA 
 16 DE FEVEREIRO EM MADRID



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“ Estamos cada vez mais na via de poder ouvir uma interpretação do mundo tal como ele é. (...) A criança vê as coisas com olhos não acostumados e ainda possui a pura capacidade de sentir as coisas como elas são.“
Wassili Kandinski, (1886-1944)

Todos os dias, de forma consciente ou não, aprendemos lições que alteram a forma como interagimos com o mundo. No adulto essa influência da cultura raramente abala os alicerces da sua cristalizada personalidade. Para a criança o contexto cultural é determinante porque a indiferenciada ductilidade dos processos mentais que se estruturam, numa  liberdade curiosa de descoberta, permitem uma assimilação pouco filtrada das experiências.

A gestão do contexto e dos recursos educativos viabilizados pela família e pela escola são, por isso, determinantes na prossecução de uma personalidade moral próactiva, inteligente e criativa.

A vida mental da criança está intimamente ligada à sua experiência sensório-motora. As experiências sensoriais são modeladoras da forma como os meninos apreendem a realidade e logo a transformam. Uma educação equilibrada, sadia e desafiante, dos sentidos e das emoções, tempera a mente dos meninos abrindo-os ao espectro solar da vida.

Provocar a imaginação e sustentar saberes estruturantes não pode limitar-se a uma forma sincrética de informar ou ao possibilitar de experiências múltiplas sem um contexto agregador. Tentar estabelecer uma ilha de capacidade  num oceano de cegueira é, em última análise, o malogro.

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No Museu da Rainha Sofia fui, pela minha natureza de criança disfarçada de adulto, profundamente tocada pela grandiosidade artística, intemporal, desses  poetas plásticos, que leram o mundo com olhos iluminados e sensíveis. Sorri com o sorriso estrelado de Miró, viajei sonhando pelas metáforas do Dali, descodifiquei a fantástica organização conceptual de Picasso encontrando, sempre, na sua honesta simplicidade de recursos, uma nova complexidade de intenções.

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A dado momento não pude alhear-me de uma outra realidade do Museu que se constituiu como poderosa lição. Em muitas das salas que visitei dividi o espaço com grupos de crianças ou de jovens que, acompanhados pelos educadores e professores, interagiam com os desafios artísticos expostos e reflectiam sobre os mesmos em leituras pessoais diversas.

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Assisti, no acto, a um exercício de imortalidade, a um parentesco cósmico do sentir e do expressar, à experienciação de um fluxo de comunicação paranormal cujo veículo foi a arte.


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Duma forma holística e integradora continuadamente realizamos que, a história do que foi é declaradamente a história do que somos, a história com que aprendemos e a história que, visitada e interrogada, nos permite recombinar para aspirar a mais e permitir ininterruptamente o acto criativo.


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A lição apreendida tem a ver com essa consciência que as escolas e as famílias espanholas têm da importância da cultura artística como vector de construção de um pensamento autónomo, estético e implicitamente moral, político e ético.

Existem no Museu e Centro de Artes múltiplos serviços que programam actividades para crianças e jovens, famílias e escolas entre outros actos culturais.

O Museu possui uma livraria especializada em que os livros de arte para crianças ou os livros de histórias infantis, concebidos como objectos artísticos, são um convite tentador e subversivo. 


Incorporada no edifício, como um recurso orgânico e crítico, atrai-nos a luminosa e ampla biblioteca do museu que alberga mais de 100.000 livros e documentos, 3.500 gravações sonoras e cerca de 1.005 vídeos.





Livres de espírito, auto-determinados, assertivos e proactivos, respeitando o melhor da sua cultura, não admira que deste fermento tenha medrado o talento expressivo artístico e que os espanhóis queiram dar à luz mais Dali, mais Miró, mais Picasso, mais Tapiés ...

Referindo-se à arte da Pintura Picasso afirmou:

“A Pintura é Poesia
E é sempre escrita em verso
Em rimas plásticas
Nunca em prosa.”

Esta Arte-Poesia estabelece o equílibrio prazeiroso entre as emoções e a razão. A ruptura deste delicado sistema é a causa de muitas das doenças do nosso século. As rotinas culturais elevadas educam a criança com o melhor que a sua família alargada tem para absorver.

Melhor que ir ao psicólogo, ou ao terapeuta é, sem dúvida, ir ao Museu! 


REVISÃO LITERÁRIA - http://www.museoreinasofia.es/index.html

FOTOS - VCB:
1. Alçado lateral do Museu e Centro de Artes da Rainha Sofia;
2. Pátio interior de acesso ao Museu;
3. Sala de exposição;
4. Sala em que se expõe a obra-prima de Picasso 'Guernica', 1937, na qual se encontravam crianças e jovens que estudavam e debatiam a composição;
5. 'Femme et Chien devant la Lune' - Miró, 1936;
6. Estudo de pormenor do quadro 'Guernica' de Picasso, 1937;
7. Pintura 'Escargot, Femme, Fleur, Étoile' - Miró, 1934;
8. Esculturas dinâmicas 'Tertúlia' de Angelo Santos Torroella,1929, e interacção das crianças;
9. Criança que faz a leitura de uma planta do museu, actividade integrada numa caça ao tesouro;
10. Escultura em bronze 'O Grande Profeta' de Pablo Gargallo, 1933;
11. Escultura em bronze 'Mulher no Jardim' de Pablo Picasso, 1932.  

9 comentários:

  1. Anónimo22.2.11

    Colega adorei. Estou de acordo com o que conta.
    Estive lá e passei-me a ouvir aquelas crianças a discutir os quadros!
    Marina - educadora de infância

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  2. Olá Virgínia,
    Adorei esta tua postagem, desde a escrita (como tu a fazes), às imagens e a todas as situações que descreves.
    Inspiraste-me, fizeste-me vontade de lá ir!
    Bjs, Juca

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  3. Também conheço estes Museus e apreciei como afirma a participação consciente das crianças por ali.

    Sabe concerteza que o Museu de Serralves tem actividades também elas interessantes para as crianças?

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  4. Ei Gigi

    Lindo como tu!

    Passeando e Amando, nê????

    15 de Fev. é 1 must! WOOOOOWWWW!!!

    Te quiero, Guapa.
    Vale?

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  5. Marina
    Que bom ter gostado. Obrigada pela participação!

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  6. Juca

    Obrigada querida! O que mais apreciei foi que os meninos discutiam pormenores dos quadros com uma facilidade e um interesse. Via-se que era um hábito e não uma visita fortuita.
    Abraço Amigo

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  7. Alfredo

    Conheço bem Serralves e tenho uma grande admiração pelo seu trabalho com as escolas. Lá chegará o momento de blogar sobre essas experiências.
    Muito obrigada e volte sempre!

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  8. Bia

    Passeando e amando, SIIIMM!!!

    Bj Grande

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  9. Gostei muito. Viagem bem aproveitada!

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