terça-feira, janeiro 18, 2011

OPINIÕES MOLES VS DIGNIDADE DE OPINIÃO

Não resisti a blogar excertos da entrevista, à Pública, de João Pereira Coutinho, jornalista e comentador político português, portuense de 34 anos. No seu estilo directo e mordaz trata, segundo diz, as pessoas como adultas, sem eufemismos ou discurso redondo.    

Interessou-me particularmente:

«Nada do que eu escrevo me parece particularmente duro ou violento. Mas admito que possa soar duro ou violento na nossa cultura política ou jornalística, que ainda vive na ressaca da ditadura. Como sabe, um dos prodígios do Dr. Salazar foi ter removido a política das ruas, dos jornais, dos cafés, até para evitar a loucura revolucionária e confrontacional que dominou a Primeira República. Só que o resultado desse apagamento do político, que é sempre um apaziguamento do confronto e do pluralismo, produziu estas opiniões moles que hoje são medradas por aí. Opiniões em cima do muro, onde ninguém quer incomodar ninguém e todos querem ser amigos de toda a gente. Se fujo um pouco ao tom melífluo da imprensa portuguesa, acredite, não é virtude minha.
Foi sorte. Tive a sorte de crescer com o jornalismo brasileiro, que soube importar o melhor do jornalismo anglo-saxónico. Não apenas a prosa enxuta, sem aqueles ridículos "tenho para mim que" ou "na minha óptica", mas um certo gosto pela liberdade e pela dignidade de opinião.
Quando uma vez contei, ao meu editor em S. Paulo, que o colunismo português era maioritariamente exercido por membros dos partidos políticos, ele nem queria acreditar. Achava que eu estava a falar, sei lá, do Zimbabwe.»

FOTO - Imagens do Google
EXCERTO de JPG - Revista Pública de 16.01.11, pág. 43

4 comentários:

  1. No Zimbabwe? E não estamos?

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  2. Sabe que eu já nem sei!!!

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  3. Está certo!!!
    Há que seleccionar. Não ler o que não acrescenta, nem diverte...

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