terça-feira, novembro 30, 2010

75 ANOS EM VIAGEM vs EXERCÍCIO DA IMORTALIDADE

Hoje, terça-feira, cumprem-se 75 anos sobre a morte do poeta Fernando Pessoa (1935). O escritor foi correspondente comercial, crítico literário e jornalista, publicitário, activista político, tradutor e amante da astrologia. Mente crítica, prolixa e actualizada, em pouco tempo de vida, (faleceu com 47 anos), serviu brilhantemente a língua portuguesa, sendo a sua obra conhecida, respeitada e estudada em várias partes do mundo.  Parte do seu trabalho é escrito em inglês, segunda língua, adquirida entre os sete e os dezassete anos em Durban, na África do Sul, onde viveu. 

A maior parte dos estudos da sua vida e obra, debruçam-se sobre a escrita poética, que emerge de uma multiplicidade perceptiva e emotiva, de um olhar agudo e único sobre o mundo, produto de uma personalidade heteronímica.

O próprio Pessoa se considerou um "drama em gente".O aniversário do Poeta será assinalado com a exibição do “Filme do Desassossego”, de João Botelho, no Teatro Nacional São Carlos, em Lisboa.

QUADRO - 'Homenagem a Fernando Pessoa' óleo sobre tela de Luís Badosa

segunda-feira, novembro 22, 2010

WE'LL KEEP ON TRYIN'  - TILL THE END OF TIME
 

INNUENDO

While the sun hangs in the sky and the desert has sand
While the waves crash in the sea and meet the land
While there's a wind and the stars and the rainbow
Till the mountains crumble into the plain

Oh yes we'll keep on tryin'
Oh tread that fine line
Oh we'll keep on tryin' yeah
Just passing our time

While we live according to race, colour or creed
While we rule by blind madness and pure greed
Our lives dictated by tradition, superstition, false religion
Through the eons, and on and on

Oh yes we'll keep on tryin'
Oh we'll tread that fine line
Oh oh we'll keep on tryin'
Till the end of time
Till the end of time

Through the sorrow all through our splendour
Don't take offence at my innuendo

You can be anything you want to be
Just turn yourself into anything you think that you could ever be
Be free with your tempo, be free be free
Surrender your ego - be free, be free to yourself

Oooh, oooh -
If there's a God or any kind of justice under the sky
If there's a point, if there's a reason to live or die
If there's an answer to the questions we feel bound to ask
Show yourself - destroy our fears - release your mask

Oh yes we'll keep on trying
Hey tread that fine line
Yeah we'll keep on smiling yeah
And whatever will be - will be

We'll just keep on trying
We'll just keep on trying
Till the end of time Till the end of time
Till the end of time


sábado, novembro 13, 2010


PORTO SENTIDO - SENTIDO PELO RUI VELOSO E POR QUEM LÁ NASCE

 

O Porto é a minha cidade de eleição! Sempre apreciei a contenção fria do ferro forjado e da dura face do granito. O espelho de água encendiado pelas estrelas douradas da iluminação do cais e o casario ocre ou bordado de azulejo que, empoleirado na colina, desfralda estendais multicores, em desafio ao olhar polido do burguês. A Sé, magnífica e austera, cresce sobre a cascata antiga e alegra-se com as novas intervenções urbanísticas, que respeitaram a traça e a raça, e, embora minimalistas no esboço, se integram no volume, na matéria e na cor. 



Na idade em que escrevia poemas e adoecia de amor mal resolvido, na travessia diária do rio pela ponte D. Luís, nesses 15 ou 16 anos em que a emoção rebenta pela pele, esta viagem sobre o rio servia o desenvolvimento e construção poética de uma identidade, simbiótica, entre duas personalidades, a minha e a da cidade.

Conheci o Porto da vida estudantil dos anos 60, 70 e 80 que esventrei, em companhia da Máris, da Lucy  e mais tarde do Né (agora Barroso), descobrindo todos os segredos das ruelas e avenidas entre as três pontes D. Maria, D. Luiz e Arrábida. Qual era o apelo? Aquela cidade antiga tinha para nós recantos, segredos, gritos e falares que deslumbravam a curiosidade acesa.

Eu e a Máris desenhamos um plano para mapear e desvendar o sítio e o miolo de todos os cafés do Porto. Assim, saindo do Esperança, tomavamos o simbalino no Lua Nova e, emblematicamente vestidas de preto, comme il faut, iniciávamos o périplo. O café, nesse tempo, era o centro do mundo e tinha um público próprio, singular, que nunca atraiçoava os hábitos da tertúlia, enquistada nesse espaço que era seu. Os donos do estabelecimento conheciam os seus fregueses e participavam amenamente das conversas, fazendo deles a vida diversa que assim lhes era trazida.

Ninguém estudava em casa porque as escolas eram todas no Porto e, quando se regressava a Gaia, Espinho, ou outros destinos periféricos, já Ártemis espelhava a luz lunar e o esplendor da noite pelo fluido tapete do rio.

CAFÉ MAGESTIC - Fachada, na noite de Sta Catarina


CAFÉ MAGESTIC - Interior estilo Arte Nova


Francesinha do Magestic
CAFÉ A BRASILEIRA em Sá da Bandeira

A BRASILEIRA - Café e Salão de Chá

Entrada principal do CAFÉ CEUTA
CAFÉ CEUTA - Rua de Ceuta

CAFÉ AVIZ - Entre a Rua de Ceuta e a Rua da Fábrica (Jogavamos snooker no andar de baixo) 

Lustres do CAFÉ IMPERIAL na Praça da Liberdade (agora Mac Donald's) 

CAFÉ GUARANY - Esquina da Avenida dos Aliados com Rua de Ceuta

Interior do CAFÉ GUARANY

Interior do CAFÉ GUARANY

Chocolate no GUARANY
O PIOLHO - CAFÉ ÂNCORA D'OURO nos Leões

A BATALHA - vista da escadaria da Igreja de Sto Ildefonso (Vários cafés ao longo das fachadas desta Praça)

Fachada do edifício ÁGUIA D'OURO - aqui funcionaram o cinema e também o CAFÉ com o mesmo nome

CAFÉ EMBAIXADOR - em Sampaio Bruno
LEITARIA DA QUINTA DO PAÇO na Praça Guilherme Fernandes, perto dos Leões


Famosos éclairs da LEITARIA DA QUINTA DO PAÇO


CAFÉ ESTRELA D'OURO na rua da Fábrica (Aqui se comia o bife à café Estrela - uma delícia!)


Edifício Palladium onde funcionou o CAFÉ PALLADIUM

RELÓGIO DO EDIFÍCIO PALLADIUM

Sobre os cafés do Porto, a sua identidade pública e características, existe extensa literatura, imagem e fotografia, cuja consulta se transmuta em prazer imenso, no reconhecimento que a memória traz.
É, porém, um estudo-viagem tão fascinante que, num qualquer destes dias, apetece empreender. Agora, não só pela aventura romântica do fruir e conhecer, como pela missão do contar... Talvez, em equipa amiga, como no passado!

IMAGENS - Fotos do Google; Blog Cafés do Porto de Catarina Correia; Blog florbytesemmemoria; Blog Andaduras;
                Estudo - Cafés do Porto de Maria Teresa Castro Costa.
VÍDEO - You Tube

sexta-feira, novembro 12, 2010


ZIZI POSSI E CHICO BUARQUE - PEDAÇO DE MIM

Poema magnífico do Chico, que por si arranca pedaços da alma e se torna transcendente pela dolente toada do choro melódico, dedilhado em soluços de bela harmonia.
A voz pura e quase inocente de Zizi em contraponto com a rouquidão quente e triste da voz do Chico faz doer. Ouve-se e os sentidos arrepiam-se com a emoção descrita e o estímulo dessa melodia sofrida, perturbadora: 'A saudade dói como um barco que aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais'!
Como te amo Chico Buarque, a ti e essa legião de grandes músicos e intérpretes brasileiros que acompanharam e instruiram o meu gosto e apuro musical.

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus


  VÍDEO - You Tube