terça-feira, outubro 05, 2010


RAIVA DA ESCRITA 1 - Valadares, Out.10, 05.00 a.m.



O Fluxo das Palavras é tão pujante e caudaloso, tão diversos os cursos desta água, que nada os detém. Não há diques mentais, estribos ou barreiras que contenham os múltiplos conceitos, a enxurrada de ideias, o paroxismo de uma escrita que se faz dantesca, visceral, frenética, intempestiva, num desgaste do corpo, da matéria pela qual se define.
A escrita é erótica, pela dor prazeirosa e intensa, para além da vontade, animal, sem peias. A escrita é orgásmica, pela rebentação estrelada, constelação de imagens, de feixes de luz em formato Word. A escrita jorra do corpo e corrói-o brutalmente, em gastrite aguda, no esticar da tensão, no esbugalhar dos olhos despertos das três horas da manhã, no sofrimento de parto que não dói, no vómito visceral, na explosão dos sentidos.
A escrita é! Faz-se sem lápis, sem riscos ou teclas de computador. Faz-se por dentro, em maratona, desorganizada mas certeira, em resmas de informações, imagens, sentimentos. Tem muitas formas que eclodem abruptamente daquele lugar, no sótão da consciência, vertiginosas, subreptícias, prementes. Nada as detém, nem a racionalidade do que deve ser, nem a debilidade de um corpo sofrido, gasto pelas rotinas do trabalho diário. A escrita é amiga da noite, porque aí tem um lugar só dela, num devir grandioso, exemplar, na permissão total de um tempo e matéria que lhe pertencem, nesse lazer sem descanso, feito palco de energia.
A escrita ao consubstanciar-se, endémicamente, absorve o próprio autor. A ecrita mata!

FOTO - Gabinete de trabalho de VCB

18 comentários:

  1. Mas há que quem se recolha na escrita para sobreviver às agruras da vida. Estive há bem pouco tempo com uma escritora conhecida que me confidenciou a sua necessidade vital em escrever, como alicerce na sua vida...
    Gostei muito de ler este texto..
    Mas às vezes, custa tantos soltar as palavras...uf!
    Beijinho

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  2. Estavas num daqueles momentos...
    Que saudades...

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  3. Olá
    Escrevo pouco e com sofrimento. Esse fluxo conceptual e discursivo de que fala não é para todos...
    Com estima

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  4. Barrosinha

    Tua fã para a vida. A Lucy advertiu-me dos teus anos. Tanti auguri, complimenti!
    Que a tua generosidade e o teu talento nos iluminem, bella!!!

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  5. Gigi

    Cá estás de novo inteira!!!
    Lavas-me a alma.
    Je vous aime!!!

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  6. Acordada a estas horas???
    Como uma adolescente enamorada da noite e a fervilhar de energia???
    Ai mata, mata!!!

    BEIJÃO

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  7. Tenho a dizer que com raiva fico eu já que a minha escrita é tartamuda...
    Abraço Amigo

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  8. A escrita pode ser doída. Nem sempre o discurso flui como o conceito.

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  9. Desculpa amiga, mas o teu gabinete assemelha-se à tua cabeça...
    Cheio de reflexões...
    bj

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  10. Leonor
    Escrever é uma forma de Viver, revivendo, o que vestimos de significado. Pode ser uma compulsão que nos liberta das rotinas, das trapalhadas, permitindo o voo. Pode ser uma voz que determina caminhos, nem sempre fáceis. No interminável de tais possibilidades é, muitas vezes, como diz essa amiga, uma forma de alicerçar a nossa identidade e o nosso caminho pelo mundo.
    É muito bom encontrar-te por aqui!
    BJ

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  11. Sissinha
    brigado miga

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  12. Vitorino
    Creio haver muitas formas de SER escritor. O Torga falava continuamente da tortura da escrita. Há quem se martirize à procura da palavra...
    Nada impede aquele que ama. A escrita é um íntimo acto de amor que pode revestir muitas formas...
    Obrigada pela amabilidade, volte sempre...

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  13. Lis

    Sono arrabiatta! Non devi mai dimenticare un anniversario così importante!
    Da quando?
    Eccoti qua...Eccoci di nuovo!!!
    Ti voglio tanto bene

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  14. Bia
    Je t'aime trop...
    Escreve...

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  15. Lucynha
    Como em outras eras... BJ

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  16. Martinha

    Não acredito...

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  17. Cristina
    Ao ser doída não tem que ser menor!!!

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  18. Ana Luís

    E de algum lixo, claro...

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