terça-feira, julho 13, 2010

MEGA - AGRUPAMENTOS



Ter DIREITO a uma qualquer EDUCAÇÃO não colhe, o que importa é o DIREITO a uma EDUCAÇÃO de qualidade.

A qualidade da educação não se mede, apenas, pelos recursos materiais que, não subestimando a sua importância, só se tornam relevantes se for respeitado o Espaço / Tempo do desenvolvimento das capacidades de descoberta e aprendizagem do indivíduo, da equipa educativa e da organização escolar.

Não basta juntar os alunos dos 5 aos 18 anos, mais os professores e os poucos auxiliares de uma escola, para termos, por obra e graça de um saber espontâneo e imediatista, um currículo transversal, articulado e premiado de sucesso.


As sociedades mais reflexivas procuram voltar às escolas pequenas onde o conhecer todos se encontra em relação directa com o grau de responsabilidade em aprender, ensinar e responder cívicamente perante deveres e direitos. 
Responder, consequentemente, com o balizamento de regras comunitárias, co-construídas, compreendidas e aceites,  porque geradas no seio de uma organização humanizada.
O envolvimento das famílias na escola dos filhos é meritório, pelo que aporta da cultura e saberes locais para o ambiente institucional e pela poderosa influência dos saberes disciplinares e éticos que penetram o núcleo familiar. A força exponencial desta sinergia é tanto maior quanto menor for a comunidade educativa.

De uma forma imediata  poderá pensar-se que diminuir os recursos humanos de uma organização rentabilizará a capacidade produtiva dos efectivos no terreno, eliminará o desperdício e terá um efeito de poupança pecuniária. O lamentável desta equação reside no formato redondo de um discurso sem perspectiva processual de desenvolvimento.
Deixemo-nos de punhos de renda: As escolas necessitam de um governo/direcção que conheça as bases, que as dinamize e trabalhe perto e junto com elas. As escolas necessitam de pessoas felizes, dispostas à generosidade e à abertura que sustentam o aprender e ensinar.
Os docentes desempenham hoje papéis diversos. Os seus horários de trabalho estendem-se em tarefas múltiplas e essas tarefas acompanham-nos até casa e invadem-lhes o fim de semana. Os auxiliares de educação, ditos assistentes operacionais, são cada vez menos, impreparados e, devido à rotação dos contratos, com pouco tempo para desenvolver as competências adequadas e a responsabilização de pertencimento. Por sua vez, a poupança pecuniária circunscreve-se ao agora. O discurso desenvolvimentista  é traído pela prática castradora.











PERTENCER ou SOBREVIVER?

VÍDEO - tvi24
FOTOS - Imagens do Google

9 comentários:

  1. Olá VCB

    Penso da mesma forma. A minha escola está cada vez mais longe do modelo humanista, de ambiente tranquilo e agradável, onde toda a comunidade educativa sabia o seu lugar, a sua função e trabalhava de forma amiga. O stress, a burocracia, a ocupação de todos os tempos, não deixam respirar as pessoas, conhecer e gostar de ensinar e aprender. Vem aí mais uma machadada no processo educativo. Sobreviver já não é educar.
    Parabéns colega, gosto da sua escrita diversificada, é um exemplo para todos nós.

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  2. Concordo com a Martinha e com a Virgínia

    Não pactuo com as práticas docentes directivas, nem com uma escola tradicional em que nem sempre o professor levava os alunos a reflectir, mas isto...
    É triste, mas estou a perder todos os meus sonhos...
    Estou convosco...

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  3. Anónimo15.7.10

    Lá por ser MEGA não é uma ideia em grande é uma MEGA-TRAPALHADA com consequências sérias no DIREITO à EDUCAÇÂO de qualidade que a colega refere.
    Expressou o pensamento de muitos.

    Jorge Castro - Braga

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  4. Anónimo15.7.10

    Virgínia

    Eu melhor não diria...

    Luz

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  5. Anónimo15.7.10

    Colega

    Dizem que é tudo uma questão de economia e com isto justificam todos os disparates.
    Artur - Macedo de Cavaleiros

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  6. Martinha e Sofia

    Obrigada pela vossa visita e comentário. À medida que os factos involuem em valores, conceptualização dos direitos humanos, na ética e deontologia, temos o dever de unir-nos e lutar pelos mesmos. De uma forma sempre digna não podemos vacilar.

    Um beijo

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  7. Caro colega Jorge

    Muito obrigada pela sua participação.
    Achei graça ao seu trocadilho. Este MEGA até assusta.

    Sempre ao dispor...

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  8. Colega Luz

    A amabilidade que usa tem a ver com o olhar e a leitura que faz. Diria, concerteza, muito bem e não interessa o formato do seu discurso mas a ética, honestidade e verdade que através dele pode passar.
    Muito obrigada pela sua participação.

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  9. Colega Artur

    O problema é que não dizem!!! Dizem, sim, que esta reestruturação serve interesses de qualidade pedagógica e ao mentir tomam-nos por parvos.
    Muito obrigada, volte sempre.

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