terça-feira, junho 08, 2010

SISSI, BIA, PRÉSEN MARY, MARGARIDA, PAULA, ALCINA
ou
GANG DOS SALTOS ALTOS

(HIGH HEEL GANG)



É com uma enorme inveja que admiro o equilíbrio e harmonia de uns pés soberbamente calçados, elevados por um salto ou um stiletto de bom tamanho. Nem todas se atrevem! Umas porque prezam o conforto corriqueiro da sola rasa, outras porque lhes é clinicamente negado tal feminilidade e as demais porque não possuem o fino meneio, a postura graciosa e a sagesse das minhas queridas amigas – O GANG DO SALTO ALTO.



Andar nas nuvens para uma mulher tem tudo a ver com a beleza, a qualidade material e o design de um dos adereços mais apetecidos pelo sexo feminino – Os sapatos.



Não é uma mania da nossa época já que o sapato, nas suas múltiplas e encantadoras formas, tem sido, ao longo da História, ícone de desejo, muito para além de objecto de protecção e conforto.



Em 10.000ac, nas cavernas paleolíticas de França e Espanha, aparecem pinturas que revelam a existência de calçado.

Na China, o culto dos pés exigia o uso de sapatos femininos que não podiam exceder os 15 cm. Para calçá-los, as mulheres enfaixavam os pés num pequeno cilindro, impedindo-os de crescer normalmente.

Na Mesopotâmia, há 3200 anos, documenta-se a confecção de calçado, executado com tiras de couro macio, que permitia percorrer os trilhos das montanhas.

No Antigo Egipto (3100ac – 32 ac), os nobres usavam sandálias de couro sendo as dos Faraós adornadas com peças de ouro.

Detentores de uma cultura vanguardista no domínio da política, da filosofia, da ciência e das artes, os Gregos, não descuram a moda e no que diz respeito ao calçado chegaram a usar um modelo diferente em cada pé.

No Império Romano o calçado permitia fazer a diferenciação dos grupos sociais. Os senadores usavam sapatos castanhos, dos quais partiam quatro tiras amarradas no tornozelo com dois nós. O calçado dos cônsules era branco como as suas vestes. As legiões usavam botas de cano curto e às mulheres era permitido o uso de várias cores no calçado: branco, vermelho, verde ou amarelo.

A maioria dos sapatos, na Idade Média, tinha a forma de sapatilhas e os nobres e os cavaleiros usavam botas de boa qualidade.

Na Inglaterra, no século XIV, os sapatos ingleses ficaram tão pontiagudos que se tornaram perigosos. O rei Eduardo III produziu um decreto que limitava o bico dos sapatos para o máximo de cinco centímetros. Ignorando esta lei, os sapatos ingleses, da época, chegaram a ostentar 50 cm de comprimento. Para conseguir caminhar, era necessário prendê-los à cintura com um cordão de seda.

Por volta de 1600, em Veneza, o calçado ostentava plataformas tão altas que quem o usasse precisava da ajuda dos criados para se movimentar.

Na França, no século XVI, os sapatos ficaram tão estreitos que para calçá-los os pés precisavam ficar mergulhados durante uma hora em água gelada.

A invenção do salto alto, parecido com o que hoje se usa, é atribuída a Catarina de Médici. Filha de uma distinta família italiana de Florença, Catarina foi a Paris para casar com o futuro Henrique II da França. Por ser pequena, carregou na bagagem vários sapatos feitos por um artesão italiano com saltos que a faziam parecer mais alta. A novidade tornou-se grande moda entre a aristocracia francesa. Homens e mulheres usaram os saltos altos, durante os séculos XVII e XVIII, como uma marca de privilégio social. Só os indivíduos ricos e bem nascidos podiam usá-los.

Ainda em Inglaterra, com o rei Eduardo (1272-1307) surge o fabrico de calçado em série, numerado. A fábrica de Thomas Pendleton executa a primeira encomenda em série de que há registo: 4000 pares de sapatos e 600 pares de botas para o exército. No início do século XVIII, em plena Revolução Industrial, surgem as primeiras máquinas que fabricam calçado em larga escala.

Em 1800, os high heel descobriram a América, o cenário ideal para crescerem ainda mais. O show icónico iniciou-se nas casas suspeitas de New Orleans. Estas importavam jovens francesas que usavam saltos altos. Foi tão avassalador o seu êxito junto dos clientes que em 1890 inaugurou-se a primeira fábrica de sapatos high heel no Massachusetts.

É no século XX que a moda atinge o clímax servida por novos materiais, novas técnicas e tecidos. Ao calçado é prestada uma enorme atenção e a sua confecção, além da artesanal, passa a ser sectorizada pelo design, modelagem, confecção, distribuição. Surge a necessidade de diversificar o tipo de calçado consoante as funções, a profissão, as actividades e os acontecimentos sociais.





  
Em 1955, o desenhista de sapatos Roger Vivier criou para o costureiro francês Christian Dior o salto agulha, o stiletto. Este salto era tão fino que exigia uma estrutura de ferro para não quebrar.


Desde então, para o desespero dos ortopedistas, os saltos não pararam de aumentar na importância e nos centímetros, evoluindo para muitas outras opções de design.


A partir dos anos 80 a moda é seguida não apenas pelos grupos sociais com maior poder de compra mas, o consumo de produtos de grife, generaliza-se à classe média.



Surgem os sapatos assinados por estilistas notáveis, artigos de luxo vendidos por preços exorbitantes, que são depois copiados pela indústria do calçado respondendo à avidez do consumidor médio.

O calçado, assim como outros adereços, foram e são, forma de expressão de uma sociedade, da cultura de um grupo. Icónicos, transcendem a sua função utilitária para expressar status, fétiche, criatividade, resignificando a identidade de quem por eles deixa a sua marca! 

E o que vos digo amigas, é: 

PODEROSAS!!!

SUSTENTAÇÃO HISTÓRICA - Universo da Mulher - AIT; Ruiz, R. Silva (2004) Sapatos: Imagem fétiche na arte comtemporânea. Ceac - Udesc.
FOTOS - Imagens do Google

12 comentários:

  1. E então uns sapatinhos masculinos, hehm!!!

    Devaneios de mulher...

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  2. Ma petite Gigi

    Vous êtes trés raffinée à votre choix. Quelle noblesse, quelle beauté, quelle rigueur...
    J'ai adoré les charmantes chaussures et surtout l'idée de participer dans une 'gang' delicieusement féminine!

    Em francês a postagem fica mais finamente sedutora, a condizer com o artigo...

    Bom gosto no artigo.
    Je t'embrasse mon chou!!!

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  3. Olá querida

    Poderosas e únicas no meneio. Claro que não me refiro apenas à anca, mas ao meneio da mente alucinantemente rápida e um bocadinho frívola... Porque não?

    A Bia nestas coisas é a maior (da anca é claro) os demais elementos do Gang não conheço mas a tirar pela pinta dos gostos são, sem dúvida, do melhorio...

    Contigo, sem concessões... BJ

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  4. Gostei muito. Adoro moda!

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  5. Anónimo10.6.10

    Adoramos!"O sexo e a cidade"está contigo. Bjs


    Alcina,Margarida,Paula

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  6. Dinis

    Sapatos de homem deixam muito a desejar... Não estamos no tempo do Rei Sol agora é tudo mais para o prático. Muito obrigada pela participação.
    Abraço

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  7. Bia

    O teu francês raffinée está tão bom como a tua bregeirice. Obrigada, minha querida, pelo prazer que me dás por leres e comentares neste blog.
    Te gosto, minha linda, desde a pontinha do stiletto ao fino caracolinho sob o chapéu de praia. Fundamental é o teu carinho.
    Beijão

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  8. Sissinha

    A Bia é grande de coração também. Tu e ela agitam bem as mentes com toda a certeza...
    Obrigada querida pelo teu 'fechar' comigo sobre toda a folha...
    Bj supermegaextragrande,
    Contigo, sem concessões

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  9. Maria Rita

    Moda é uma manifestação cultural. De certa forma uma expressão artística.
    Muito obrigada, pela sua visita e o seu comentário.

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  10. Alcina, Margarida e Paula

    O trio anónimo mais identificado que já conheci.
    Além de um 'High Heel Gang' também um 'Sexo e a Cidade' troupe. Claro que não lhes bastava ter o poder definido pela perna torneada e pela elevação do pé, conquistaram, com este novo nome, outro domínio atitudinal - Filtrar toda a asserção banal, pelo Jogo entre os Géneros, que entre a malícia, concupiscência e malandragem, agita os graves, surpreende os ímpios e faz pecar os santos...
    Pelo sexo 'virtual' da alusão equívoca e com cidade, ou mesmo pelo campo... Os meus parabéns por serem felizes e darem aos outros o ensejo de partilhar essa alegria!
    Bj grande e obrigada por estarem aqui

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  11. Gostei do artigo, Adorei os sapatos, Diverti-me à brava com os comentários...

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  12. Olá Sofia

    Mulher é Mulher... OHHH La Femme!!!

    bj

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