sábado, abril 17, 2010


GATOS DA FAMÍLIA




Sempre houve gatos, nas diversas gerações, da minha querida família. Felinos sadios, robustos, libertos e integralmente instalados na trama vivencial e semântica das nossas narrativas. Cada um deles inventou um espaço próprio e insinuou-se, relaxada e subrepticiamente, nas rotinas aprazíveis de todos nós. Construíram histórias e deram lições. Contribuiram para o desenvolvimento de fortes sentimentos e atitudes como: Companheirismo, responsabilidade, ternura, alegria, surpresa, imaginação, contenção, paciência, serenidade, independência, agilidade, sensualidade e sedução. 
O contacto com os animais, desde a infância, faz-nos pressentir, sem teorias, a essência orgânica e harmoniosamente equilibrada da vida. Essa consciência geobiológica, que se apura, é mais tarde responsável pelo élan e procedimento cívico-moral que espontâneamente se determina.      



Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga

Poema de Vinicius de Moraes

"Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual."

Crónica de Carlos Drummond de Andrade 'Perde o Gato'

Para nomear os gatos que aparecem nas imagens do slide-show da notícia anterior, basta colocar o ponteiro sobre as mesmas. Para além destes ainda viveram com a família: A Bichana, o Patife, a Farrusquinha, a Margatita, a Ronnie, a Formiga, o Negrito, o Clinton, a Hilary e o Pintas.
Obrigada a todos eles pela resignificação e alegria que nos trouxeram! 

FOTO - BARBARA E VIOLINO - 1990


2 comentários:

  1. Devias escrever um conto.
    Ou muitos!!!
    Um Diário?

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  2. Obrigada Ana pela enorme confiança.
    Adoro escrever, se pudesse dedicaria a minha vida a tal tarefa mas vou trabalhar até aos 65 com muitas outras tarefas na agenda.
    O blog é uma forma descomprometida de sustentar o vício.

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