sexta-feira, março 19, 2010

QUERIDO PAI

A saudade dói.
Vives na latência dessa dor - o teu perfil terno, generoso e apaixonado.
Vives na fluidez da expressão cultivada - pela tua palavra ponderada, eficaz e sentida, pela voz aquecida no romance canção, pelo sentido poético, pela escolha musical entre o tocar da tua guitarra ou do acordeão à vivência dos clássicos e das vozes líricas.
Vives na modelagem cívica, solidária, independente e criativa.
Vives no fogo de um coração aceso à procura do Belo.
Vives no gosto, na persistência e na eficácia do trabalho.
Vives no desinteresse pela glória dos homens e pela busca incessante da sabedoria e verdade interior.
Vives na genética de um nariz ousado e de uma fronte aberta.
Vives na interacção amável, fácil e educada.
Vives na Luz, na Paz, na tua Estrela anímica que com alegria dividiste criando um Bem Maior.

Vives em mim PAI vives em mim!

Ouço o teu eco no dia a dia em todas as tarefas, nos confrontos e no bem estar. Ouço e Sinto a tua essência. Tenho saudades do teu toque, das tuas enormes mãos a acolher as minhas mãos.

GUITARRA DE CARLOS PAREDES - Um som que o Pai amava

2 comentários:

  1. Afinidade
    Gostei muito

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  2. Obrigada Cristina.
    Lá diria o Chico Buarque 'A saudade dói como um barco...'

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