quinta-feira, março 18, 2010




IRENA SENDLER

Em notícia do Público, de hoje, figura o falecimento, no hospital de Varsóvia, de Irena Zendler, com 98 anos. Não tão conhecida como Schindler, imortalizado por Spielberg, foi considerada como uma das grandes heroínas da resistência polaca ao nazismo, tendo sido nomeada para o Prémio Nobel da Paz.

Quando a Alemanha invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, no qual cuidava das salas de jantar comunitárias da cidade.
Em 1942 os nazis criaram um guetho em Varsóvia e Irena, com um profundo horror pelas condições como se vivia naquele lugar, uniu-se ao “Conselho para Ajuda aos Judeus”. Conseguiu, desse modo, identificações da oficina sanitária, já que uma das suas tarefas era a de lutar contra as doenças contagiosas. Foi determinante o receio dos alemães relativo à possibilidade do aparecimento e disseminação do tifo. Só esse motivo permitia que os polacos tivessem o controlo do lugar.
Com determinação e elevados princípios morais Irena conseguiu mobilizar algumas pessoas que trabalhavam no Centro de Bem-estar Social e com elas foi convencendo mães e avós das famílias judias a deixar partir as suas crianças, furtando-as à morte e ao extermínio.
Com a ajuda obtida organiza centros de documentação falsos, produz assinaturas e gera identidade temporária para cada uma das crianças. Retira-as dos campos de concentração em ambulâncias, como se fossem vítimas de tifo, ou fazendo-se valer de todas as estratégias e utensílios ao seu alcance: cestos do lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacos de batatas, caixões. Procurava os meios mais inesperados para libertar os meninos da dor e morte lenta.
Tencionando devolver, depois da guerra, as crianças às suas famílias, inventou um arquivo inaudito: Anotava as informações sobre as mesmas em pequenos pedaços de papel que enterrava, dentro de frascos de conserva, sob uma macieira de um jardim vizinho. Sem levantar suspeitas salvou e guardou desta forma a identidade de 2500 crianças judias.
Em 20 de Outubro de 1943 foi presa pela Gestapo e brutalmente torturada. Nunca confessou o paradeiro das crianças nem a identidade de todos aqueles que a haviam ajudado. Quebraram-lhe as pernas e os pés tendo sido depois condenada à morte. A sentença não chegou a ser cumprida, já que, o soldado de quem ficou à guarda lhe permitiu fugir, depois de subornado pela resistência polaca.
No fim da guerra, fez questão de, por si própria, desenterrar os frascos de conserva, fazendo, depois, uso das suas anotações para reencontrar as 2.500 crianças. Como a maior parte delas havia perdido a família, nos campos de concentração, tiveram de ser adoptadas, processo ao qual Irena superintendeu.
Quando as primeiras notícias da sua atitude heróica apareceram, nos jornais europeus, foi visitada e acarinhada por muitos dos sobreviventes e suas famílias.
Nunca quiz honra nem glória, afirmando "Poderia ter feito muito mais" e que "Esse lamento a acompanharia até à morte".

3 comentários:

  1. Quem recebeu o Nobel da Paz nesse ano em que este SER HUMANO ADMIRÁVEL foi nomeado foi o Al Gore.
    Claro que a questão ambiental é da maior importância, mas o homem era pago pelas conferências (e bem...) e deslocava-se de jacto particular... !!!
    Teria sido mais coerente premiar a absoluta abnegação, a grande coragem e o AMOR inquestionável...
    Parabéns pelas escolhas, lindinha!!!

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  2. Sabes que mais vê-se-lhe no rosto a ternura.
    Mulher Coragem!

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  3. AnaLuís e Seninha

    Este é o sal da terra, o amor que nos determina.

    O lado solar da História.

    Obrigada por cruzardes este caminho.

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